Acessibilidade em sites: tem cliente que desiste sem você saber
Um botão que a pessoa não enxerga direito não é um bom botão. Um formulário que não funciona pelo teclado não é um bom formulário. Um texto elegante, mas com pouco contraste, não é uma boa escolha. Isso é acessibilidade em sites: fazer o que existe funcionar para quem realmente usa.
Durante muito tempo, acessibilidade em sites foi tratada como um extra. Algo para ver depois, se sobrar tempo.
Esse jeito de pensar precisa mudar, e o motivo é bem prático: quem não consegue usar, não compra. E quase nunca avisa. Simplesmente vai embora.
A internet não é usada por uma pessoa padrão
Quando um site é pensado só para alguém jovem, com boa visão, mouse, internet rápida e nenhuma limitação, ele vira um site para um público que não existe.
Na prática, quem acessa inclui:
- pessoas com baixa visão;
- quem navega só com o teclado;
- quem usa leitor de tela;
- quem tem limitação nos movimentos das mãos;
- pessoas mais velhas;
- qualquer um no celular, com sol na tela, em pé no ônibus.
Acessibilidade não é uma internet separada. É construir melhor a internet que já existe.
Existe um padrão para isso: as WCAG
As WCAG, sigla em inglês para Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web, são o padrão internacional do W3C para criar experiências digitais mais acessíveis.
A versão 2.2, publicada como recomendação do W3C, trouxe critérios novos sobre foco na navegação, tamanho das áreas de toque, movimentos de arrastar e formas de entrar em uma conta sem barreiras. Parece coisa de grande portal ou órgão público. Não é. A maior parte dessas práticas melhora qualquer site, de qualquer tamanho.
Acessibilidade em sites melhora a experiência de todo mundo
Alguns exemplos simples mostram isso:
- Contraste suficiente: ajuda quem tem baixa visão e também quem usa o celular debaixo do sol.
- Botões maiores: ajudam quem tem limitação motora e também quem usa o celular com uma mão só.
- Campos de formulário bem identificados: ajudam quem usa tecnologia assistiva e deixam o preenchimento mais claro para todo mundo.
- Títulos em ordem: ajudam o leitor de tela, organizam o conteúdo para as pessoas e ajudam os buscadores.
É difícil separar acessibilidade de uma boa decisão de design. Em muitos casos, é a mesma decisão vista por ângulos diferentes. Eu falo mais dessa ideia em O que faz um design funcionar não é a ferramenta, é a decisão.
Quando o design cria obstáculo
Existe uma tentação constante de transformar tudo em experiência: cursor personalizado, texto que só aparece quando passa o mouse, menu escondido, animação complexa, elemento que se mexe pela tela.
Alguns desses recursos funcionam muito bem quando têm um propósito. O problema começa quando a pessoa precisa aprender a usar o site para conseguir o que veio buscar.
O objetivo do design não é mostrar tudo o que dá para fazer. É levar a pessoa até onde ela precisa chegar. Isso vale também para o botão de contato, como eu explico em CTA no site: por que um botão de contato não é suficiente.
Imagens também precisam de descrição
Quem usa leitor de tela não vê a imagem. Por isso, cada imagem importante precisa de um texto alternativo curto dizendo o que ela mostra. “Foto 1” não ajuda. “Equipe da clínica recebendo uma paciente na recepção” ajuda. Esse texto também ajuda os buscadores a entender a página.
Também é uma questão de lei
No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) determina, no artigo 63, que os sites de empresas com sede ou representação comercial no país tenham acessibilidade para pessoas com deficiência, seguindo as boas práticas internacionais. Eu não sou advogado e não vou interpretar a lei por você, mas é mais um motivo para tratar o assunto no começo, e não depois de um problema.
Um teste de cinco minutos que você mesmo faz
Você não precisa ser técnico para descobrir os problemas mais comuns. Abra o site e faça:
- Navegue só com a tecla Tab. Dá para chegar em todos os botões e links? Dá para ver onde você está?
- Aumente o zoom do navegador para 200%. O conteúdo continua legível e nada fica cortado?
- Abra no celular, ao ar livre ou com o brilho no meio. O texto continua legível?
- Olhe cada botão e cada campo de formulário. O nome de cada um explica o que acontece quando se usa?
Se algum desses itens falhou, você já descobriu por que algumas pessoas desistem. E sem precisar de nenhuma ferramenta.
Melhor pensar nisso no começo do projeto
Acessibilidade funciona melhor quando entra desde o início: na escolha das cores, na tipografia, na estrutura, na navegação, nos botões, nos formulários e na organização do conteúdo.
Corrigir tudo depois costuma dar mais trabalho do que fazer certo desde o princípio. E o resultado compensa: um site mais claro, mais organizado e mais fácil de usar para qualquer pessoa. É por isso que eu gosto de trabalhar na ordem estrutura, visual e resultado: primeiro decidir o que a pessoa precisa fazer ali, depois desenhar.
Se quiser que eu avalie como está a experiência no seu site, ou no site que você quer montar, me chama no WhatsApp. Eu faço um diagnóstico antes de qualquer proposta.
Fonte oficial: W3C: Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.2
Gabriel Castro
Web designer há 11 anos, mais de 500 projetos entregues no Brasil e nos Estados Unidos. Escrevo sobre o que faz um site passar autoridade e transformar visita em cliente.